margem esquerda do capibaribe
Sua cheia inundou minha noite,
atingiu meus sonhos,
desaguou emoções não elaboradas
indicando lágrimas,
me afoguei.
A via mangue,
os museus do Marco Zero,
os bares da Rua Aurora
e as bixas do Parque Treze de Maio
se fizeram presentes,
me fazendo acreditar não estar a tantos quilômetros de distância,
será?
O letreiro apagado do São Luiz,
as pinturas da Igreja Santíssimo Sacramento,
a tenebrosa Praça do Diário
e as tantas pontes sobre o rio,
sobre o capibaribe sem mangue,
estavam lá.
Entre Boa Vista
e Boa Viagem,
boa mesmo foi o suor
pingado a cada colherada de sopa quente
no finalzinho da tarde.
Você estava lá
com seu cabelo cacheado,
desgrenhado
me dizendo que “agarrado” é nossa palavra em comum.
O bar da morgana pareceu pequeno.
Serpente pernambucana
de margem larga,
águas calmas
doce
como teu sotaque cantado
ao pé do ouvido ou no áudio enviado.
Achei estranho,
não consegui acessar as ruas de pina.
Não tinha praia,
nem o restaurante potiguar,
nem você em sua casa me olhando enquanto eu acordava.
A chuva não caiu,
os tubarões não foram assunto,
os cachorros não latiram,
as muriçocas não voaram,
e os barcos estavam todos vazios.
As antenas iluminadas me lembraram São Paulo.
Procurei pelas presenças,
mas as ausências me incomodaram.
Onde estão?
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