sexta, sábado, domingo: outubro, novembro, dezembro
Chegou novembro, é natal na espera derradeira pelo fim ficcional. Da varanda da casa da vó, tinha a chuva presente, a garoa intermitente. Ali estetizei as coisas, a vida. A chuva intensa sobre a lagoa, as erupções das gotas no espelho d’água, os postes de luz borrados pela chuva, Tudo virou imagem. A ceia farta bem comida antes da hora, na expectativa do réveillon, da virada. O medo da lagoa em festa. Não tinha perigo, nem festa, na ausência da chuva eram pessoas sentadas na orla sem opção além do show da virada. Desligaram o Roberto Carlos. Eu estava lá, na beirada da água, na casa e na rua Paris. Gostava da chuva caindo de mansinho, como hoje. O pai nosso demorado, a fome sem disfarce, o engradado esvaziado, o repeteco das piadinhas, as brigas pós álcool, os segundos da contagem, o estouro da cidra, o abraço suado (às vezes forçado). Tudo compõe. Na chuva, a beleza do eucalipto em movimento, quase tombado pelo ven...