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Mostrando postagens de julho, 2026

com deus e com gelo

O cortejo desce a ladeira. A caixa quase motorizada passa a roda no pé de um, foi dois.  O vendedor segura na frente, enquanto a esposa  mal humorada  conduz o carrinho por trás. Alguém exercendo a educação diz alto: fica com Deus. O vendedor alegre responde: e com gelo. Nesse instante o tempo pareceu outro. O trompete desafinou, a chuva caiu, os pingos engrossaram, a descida virou subida, a perna de pau agarrou no bueiro, o refresco da chuva virou incômodo, e nós escondemos debaixo do caminhão. Enquanto um oferece: você quer amendoim? O outro grita: não tenho dente. O calor infernal abriu espaço para o vento frio. A vontade de andar para trás, pegar um uber, meter o pé parecia traição, fiquei. De frente um galpão, paredes pretas e luz neon, no alto “church” escrito pensei que fosse uma filial da famosa balada, quando vi Jesus na fachada entendi que não.