como fugir do natal?
foi posta na mesa,
misturaram a maionese do pote duvidoso no salpicão,
a passas sumida
foi acrescentada de última hora
enquanto o arroz branco secou no fogo alto.
O pudim foi desinformado, quebrou
e o pavê está com menos dois pedaços.
A cozinha esquenta,
parece candomblé em dia de festa.
Provando daqui, provando dali,
provei a ceia inteira
faltou o peru coitado,
suando no forno quente a 250 graus
seu cheiro atiçou a fome,
faltou a rabada.
Esqueceram da farofa,
da batata,
mas trouxeram angu.
Se tivesse o quiabo viraria almoço de domingo em Minas Gerais.
Televisão ligada na novela,
Jovem Pan na Alexa,
pagode no karaokê do vizinho,
foguete na rua,
e a tão esperada chuva não deu as caras.
Mais um gole de café pra distrair a fome.
O microondas avisa, o feijão foi aquecido.
As castanhas já diminuíram,
o pavê perdeu mais um pedaço,
a uva não tem mais cacho,
o vinho não durou três taças
a ceia na marra foi liberada.
Os celulares jogados de lado,
o panetone murcho foi recusado,
o pão de queijo não foi assado
e a oração foi individualizada.
No Jornal Nacional vejo o Papa
pomposo
falando latim,
missa do Galo, em Roma.
Tentei fugir, mas me envolvi,
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