uma noite de artes plásticas

O museu, 

que também é galeria

com suas luzes acesas

iluminou diferente no centro agitado de uma terça-feira.


De pós academia,

acertei no caminho.

Encontrei uma vernissage. 

De short tactel  e camiseta, 

mal percebi o único dress code possível

em meio a rotina.


As bichas estavam lá, 

meio pavão,

meio galinha da angola, 

na porta

todas fumando

tipo cruela no mais clichê filme Disney.

Outra acabou de entrar,

de casaco

em pleno abril,

24 graus.


Na recepção, 

o porteiro programado pergunta:

Qual exposição?

Gostaria de dizer:

Na com coxinha e cerveja.

Ele com a cara de dúvida

pensando que eu,

ali,

não era do meio,

com suas olheiras

o indigesto entendeu,

e resolveu pôr fim ao constrangimento. 


No primeiro piso,

saxofone, 

todos de preto 

uns salgadinhos gelado,

o frango da empadinha estava bem temperado 

mas tudo gelado,

de menos o ar condicionado.


As madames não paravam de chegar

em contraste com as artistas

essas sim, autênticas, 

mas muitas forçando a barra,

como gostam.

Algumas fugiam à regra,

escandalosas,

com óculos de sol às 9 da noite.

Elas?

Nada de fotos 

apenas uma cerveja na mão,

tentando descrição,

sem salgadinhos,

risada leve

foco nos galeristas

nada de buxixo descontrolado,

o fumo?

Sempre como desculpa para sair à francesa.


As artistas novinhas

endeusadas com os galeristas

reproduzem o enredo

como criança birrenta repetindo a mãe

ou filhotes aprendendo a latir.


Aqueles que ficam,

o tempo passa, 

o álcool revela.

As conversas em tom baixo 

dão lugar a falazada 

lembrando o mais barato boteco.


Escuto gargalhadas.

Entre tropeços,

cumprimentos sem controle

e olhares tronchos,

vi os passos acelerarem,

olhei para o lado,

todos avançaram,

pensei que fosse picasso,

era heineken. 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

emtranse na casa rosa

boy monumento, gay totem