pra lá já é Bahia

Seis meses me separaram.

O campo da pólvora pareceu pequeno,

novo trajeto.

O antes não existe 

(como projetei)

o hoje parece não existir

(como projeto)

e o amanhã?

Me parece derradeiro. 


Fui engolido pela falha geológica, 

duas cidades

alta e baixa

me encontrei no meio. 


A Lapa e suas barracas atoladas 

em ruas estreitas,

cheias,

enclausurada entre o shopping,

a estação,

e a avenida 

7.

Lembro da praça, 

também 7. 

Ô Sete, 

com  quantas encruzilhadas se faz essa cidade? 


Rua da poeira 

próximo das ladeiras

saúde ou pelourinho? 

Brindei no Neusão, 

no Santo Antônio,

na Barra

sentado mirando Itaparica,

do outro lado

a espera da travessia. 


O antigo cine Pax continua derretendo 

ao tempo

no tempo.

É passeio público ou estacionamento? 

O teatro não se rendeu,

Vila Velha! 


Entre a presença 

e suas ficções, 

roteirizei a praia, 

o samba, 

a orquestra 

o boteco 

o romance 

com prazo de validade,

a paquera sem estabilidade,

a beleza dos corpos,

da cidade,

dele,

em mim. 


A arena 

os orixás do tororó 

a feira 

o peixe. 


O gosto da moqueca 

segue forte na boca. 

O cheiro do dendê queimando nas ruas

está aqui

debaixo do meu nariz. 


Saudade é maré. 

Te entrega

te atira

revira 

faz passar vontade

sentir fome

pedir mais. 


Caravelas do nosso tempo.

Lotado passou o ônibus de Brotas

de Piatã

de Cajazeiras. 

Continuo 

desfavorecidamente  nocauteado,

por tudo,

por você.

Ah, gosto!


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