pra lá já é Bahia
O campo da pólvora pareceu pequeno,
novo trajeto.
O antes não existe
(como projetei)
o hoje parece não existir
(como projeto)
e o amanhã?
Me parece derradeiro.
Fui engolido pela falha geológica,
duas cidades
alta e baixa
me encontrei no meio.
A Lapa e suas barracas atoladas
em ruas estreitas,
cheias,
enclausurada entre o shopping,
a estação,
e a avenida
7.
Lembro da praça,
também 7.
Ô Sete,
com quantas encruzilhadas se faz essa cidade?
Rua da poeira
próximo das ladeiras
saúde ou pelourinho?
Brindei no Neusão,
no Santo Antônio,
na Barra
sentado mirando Itaparica,
do outro lado
a espera da travessia.
O antigo cine Pax continua derretendo
ao tempo
no tempo.
É passeio público ou estacionamento?
O teatro não se rendeu,
Vila Velha!
Entre a presença
e suas ficções,
roteirizei a praia,
o samba,
a orquestra
o boteco
o romance
com prazo de validade,
a paquera sem estabilidade,
a beleza dos corpos,
da cidade,
dele,
em mim.
A arena
os orixás do tororó
a feira
o peixe.
O gosto da moqueca
segue forte na boca.
O cheiro do dendê queimando nas ruas
está aqui
debaixo do meu nariz.
Saudade é maré.
Te entrega
te atira
revira
faz passar vontade
sentir fome
pedir mais.
Caravelas do nosso tempo.
Lotado passou o ônibus de Brotas
de Piatã
de Cajazeiras.
Continuo
desfavorecidamente nocauteado,
por tudo,
por você.
Ah, gosto!
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