morcegos também voam
a energia oscilou,
apagou.
A internet sumiu.
De fundo um samba
já no fim.
O sistema monetário caiu,
sem Wal Street,
triste Faria Lima.
Os elevadores pararam de funcionar.
A secretária eletrônica calou.
A TV está no canal 0,
sem sinal.
O fogão a gás salvou o almoço.
Na calada da tarde escutei aquela voz.
Em sono profundo,
me obriguei a despertar antes do despertador.
O celular na mão denunciou
as mensagens não respondidas,
ignorei por quê?
Teoricamente indesejado
lhe procurei no bar,
na festa,
na feira,
na rua próxima de sua casa,
no parque,
no Tinder,
no dark,
procurei no grindr e te achei.
Um bicho de hábitos noturnos.
No embalo da obrigatoriedade,
minha ansiedade não controlada
me adiantou uma inquietação,
outra.
O cair do sol
revelou a festa como compromisso social,
obrigatoriedade do ego,
desejei ser visto,
me ferrei.
Na madrugada,
o risco foi atirado
entre doces e balas .
Companhias duvidosas
sem vontade de estar.
O açúcar não bateu,
o único.
Espécie endêmica,
escondeu no buraco que cavei.
No peito uma mordida,
três dentes e um mamilo.
Estiquei a corda já enguiçada,
sem retorno.
Não era sobre mim.
Obsessões temporárias
cabeça em vertigem,
vendi ao diabo
ele fez oficina.
O grito da cigarra me indicou chuva
enchente no peito
transbordou tudo
lavei a alma.
A coerência não vingou,
saí pela tangente
me enquadrei sem caber.
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