paguei sem dever
Na geladeira, um coração.
A galinha botou outro ovo,
o empurrou,
quebrou,
todas comeram.
Escuto um uivo,
som grave, mexeu comigo.
Noite de outono,
pouca luz.
No encontro do azeite com a água quente,
os elementos não se misturaram,
a manteiga derreteu,
o alho queimou,
o fogo alto devorou tudo.
O sol foi embora às 17,
temperatura caiu,
12 graus.
A impaciência do paciente
me revelou o segredo da espera,
não existe.
Afirmo.
Não deveria ter proposto,
Não deveria ter convidado,
Não deveria ter olhado profundamente
como cachorro com fome.
Talvez fosse mais sede do que fome.
Me equivoquei,
não tem volta,
agora é sem rodeios,
se vira.
Na espreita,
observo o fim das coisas.
Não é pessimismo,
é a certeza já dita,
o comportamento que se repete,
o tempo que entrega,
o erro familiarizado.
Conheço bem esse movimento,
o jogo já jogado,
o capeta bem abraçado,
a rapadura que não amolece.
Um projeto mal elaborado
tentando se ajeitar aos trancos,
sem rumo,
ladeira abaixo
a espera da queda,
do baque.
O tal do destino
me soou como resposta rápida
para o fracasso.
Coisa de quem não quer mudar,
gente resistente.
Enquanto o gás tenta escape,
me fodo nesse esquema
criado por mim,
que não escolhi,
nem pedi para entrar,
só me joguei,
como um suicida a caminho da ponte.
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