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teato do amanhã - 7 anos

5 de janeiro de 2024. Por uma arte livre das amarras, das ciladas e das entranhas duvidosas da arte.  7 anos de caminhos abertos, riscados, projetados e percorridos. Envelhecendo como vinho na desafiadora coletividade, onde somar é a estratégia.  Vida ao vivo.  Somos continuidade-célula-semente. Uma companhia forjada na rua, de encontros, aglutinando artistas e parceires de diversas áreas, bebendo e dando de beber, construindo experiências que ampliam o espírito, distensionam a retina e atiçam o corpo. 7 anos, 7 vidas, 7 encruzilhadas. 7x7x7x7x7x7… rumo ao 8 de infinito. Presentes na presença.  Saravá TeAto do Amanhã!

carta ao novo ano

  Querido 2023,  que barra em?  Que barra!  Na tentativa de equilíbrio em cima do muro ou na corda bamba, me ralei.  O vírus não foi mais assunto,  A crise não foi mais desculpa, A guerra continua banalizada  E bons ventos ventilam Brasília. Esmurrou doce. Acelera não perde respira corre. 1x, 1.5x ou 2x ?  Entre quereres e a rotina compulsória a vida continua valendo pouco 384,71 o barril de petróleo.  Para alguns,  a morte continua chegando mais cedo,  antes da hora, seja em Gaza, no Congo, ou aqui. Malandramente me esquivo.  O que não mata, fere. O que não fere, engorda como boi tratado para o abate.   A guerra,  a morte banalizada e a violência da desigualdade,  tudo parece se atualizar,  sim krenak, nós não saímos melhores da pandemia, que fossa. Entre ficções afetivas e relacionamentos tortos, sobraram os amores sem rumo, interrompidos. A graça na desgraça é sobre gargalhar. O vigésimo quarto chega...

lá, mas também cá

Na televisão as imagens se multiplicam É tempo de guerra, mas quando não foi?  O conflito é armado,  Mata gente, mata cidade, mata país.  Entre a espada e a espingarda Entre a bomba e o drone  A festa foi interrompida pelo míssil  O bloqueio de água, luz e comida foi imposto Guerra bélica, de confronto direto, do tipo “mata ou mata”  Por quê?  Com seu ego de meio mundo arrastando tudo para o conflito, encontro Netanyahu, Puttin, Biden, Hamas, Macron, Zelensky  e outros homens. Não que mulher não faça guerra, mas até aqui são eles e não elas.  Ucrânia, Síria, Paquistão, Gaza, Israel, Azerbaidjão Tudo se mistura. A paz é tecnologia, nem todos têm Nem nós, nem eles. Mataram 6 da mesma família em Jequié na Bahia Leio a manchete: “Milícia e tráfico disputam a zona oeste do Rio” Gaza também é aqui. 

flor que se cheire

Talvez,  seja seu jeitinho.  Me parece malandro, erroneamente desejo. Um afeto meio troncho  nada ético com seus códigos próprios  fora do meio 0 padrão, um lance. De fora, parece estranho malfeito mas que se equilibra bem meio berlinda. Gosto de ti, das lacunas, não. Te vejo hoje  e talvez,  quem sabe outro dia. Jogos.  Saudade aumentada pela distância. Pra quê? Pra quem? Não quero, mas fico. Falou que estou mais próximo do coração. Qual? O que pulsa no peito? Não sou flor que se cheire cuidado não me pegue se saia me teste. Quer mesmo? Agora? Talvez quis e não quer? Indeciso? Vai se explicar com o signo? Se decida  ebule seja caricato  explicite.   Se é para ser que seja  ou não?  Tô aqui venha me diga sem disfarce  dá mole não bora?

preta ouro preto

Das montanhas de Minas (Estado mais alto do Brasil)  A colonização fez brotar na marra uma cidade suntuosa, em contraste terrível com a miséria estabelecida pelo genocídio indígena e escravidão africana.  Cidade preta,  Ouro Preto desafia a engenharia moderna,  africanos com suas preciosas tecnologias de construção pariram sua urbanidade sobreposta aos antigos aldeamentos de povos originários.  700 toneladas de ouro saíram de suas minas endinheirando as monarquias europeias. Estupro coletivo. O tempo não linear se estabelece pelas ladeiras da cidade, na ausência de quarteirões, a cada contorno de rua, me conectei com outras caminhadas realizadas, sejam nessa vida ou em outros tempos. Casarões centenários se mantêm de pé, desafiando a materialidade das coisas.  O sete de setembro foi marcado pelos desfiles de bandas da cidade, dos diversos distritos que compõem o município. Nas bandas, era explícito as tonalidades pretas das peles entre os traços miscigenado...

sobre não desistir da educação básica

Tenho muitos motivos para pensar em desistir e investir nas outras frentes de trabalho que me compõem, mas escolhi não desistir da educação básica. É por amor, por desejo, mas antes de tudo, é por visão de futuro, projeto de país. Não é síndrome de Paulo Freire, mas é certeza de que posso alterar muitas coisas de lugar na minha atuação corpo a corpo e diária. A educação básica é complexa, um caos antigo, mas sem escola pública forte não existe Brasil soberano.  Ministro-guio a disciplina de escrita criativa para jovens do ensino médio, sim, o tão falado novo ensino médio. Como eu queria ter aula de escrita criativa no meu ensino médio, penso todos os dias no impacto que esse contato poderia proporcionar na minha vida, nas minhas escolhas e nas construções de caminhos. Tem muita coisa para mudar, mas tem muita coisa para ficar e aprimorar. Ler, escrever, revisar, escutar, sugerir, alterar, ler e revisar de novo. Sigo cansado, mas com uma certeza maravilhosa de que está dando certo. ...

piratininga engolida

Dos edifícios, rígidos, ausentes de graça ou muita cor, sobem esqueletos que indicam uma cidade outra futura. Frenesi imobiliário  emaranhado ausente de horizontes enclausurada em si. Concentração de renda ricos mais ricos   que como reis  dos seus terraços e carros de luxo empobrecem a maioria  mais da metade.  Sem pobre não tem rico? E com miséria fome pedras antidepressivos,  tem país?  Entre o remedinho de todo dia,  a cerveja gelada em pinheiros  e o crack que esconde a fome  e alivia do frio, qual a diferença? O apartamento? A geladeira cheia? O mestradinho? Ringue  centro retrato  a poeira escapou do tapete  The Walking Dead paulista  tirem a barraca  o bom prato cerquem a praça prendam eles. Andando quatro quarteirões  paraíso com aclimação conto 23 corpos vivos  me parecendo famintos  esticados no chão, mortos?  Não, dormindo. Nação de terras  de sem tetos  capitanias d...

em copa

Belo Horizonte ficou distante quando pisei na areia. Do hotel, a praia parecia maior, quilométrica, bem de vista. O elevador folheado de espelhos me transportava para fora, Copa estava debaixo de chuva fina e muito calor. Aquele pedaço de Rio de Janeiro com fluxo de cidade autônoma me interessa, da densidade dos prédios aos estabelecimentos que são restaurantes de dia e botecos de noite. No último andar dos cinco estrelas, os túneis, a favela cravada no morro, os dois irmãos no fundo, tudo parecia maior e mais caótico. Ele me contou que morou ali, sim, deve morar ainda, talvez uma parte, entre o mar e a sessão de cinema, jurei tê-lo visto, que pena. O poppers, o tekno, o sapato apertado, Letrux no ouvido e as amizades revistas. Queria mais tempo, a ida teve volta.

boy monumento, gay totem

É um tipo de corpo vertical, vistoso e cheio,  definidamente cheio,  cada centímetro parece que foi colocado para compor.  Em meio a multidão  eles sabem,  são olhares de todos os cantos e desejos. As bixas com suas expressões explícitas  gritam com os olhos, querem o monumento tipo frango assado em vitrine no domingo.  Os bíceps de 20 cm e o abdômen trincado  em delírio carnavalesco  ficou confuso  coitado, quanta rigidez  medo de envergar,  desmunhecar,  requebrar e viver? Entre sexualidades,  enxergo um totem  gay um tipo de gente que só  beija, vê e enxerga  outras gentes totens percebo arrogância  e um certo medo.  Gentes, igual a gay, sim, gay e totem.  Mas,  se o totem tombar? E tombou  monumento em queda livre.  Quantas células se faz um músculo?  Wey ou way?  Antes que se engane, não é sobre massa nem volume é sobre performance  essa coisa fabricada...

localização, please

Parte 1 Vou na Truck Tô no tiozões do pagode Peixes rolando? Peixes? Peixoto* Animo irmão Acordei agora Gente, ainda tá rolando truck do desejo? Ta tipo acabando ou vale ir? Melhor ir pra outro Peixoto está na metade ainda Perfeito Tá acabando truky Truck* Tiozões tá perfeito Tá tudo Coitada amiga kkkkk desculpa rir! Mas você achou né? Alguém manda localização do tiozões Tá parada, na Guajajaras atrás, no campo do cruzeiro Tá perfeito Alguém manda localização do Peixoto favor Peixoto vale a pena agora? Querendo saber também Peixoto alguém Peixoto acabou de acabar Não vale mais, acabou neste minuto Tem algum outro bloco rolando agora à tarde? Samba do ouro, Concórdia Localização? Tô esperando a moto Moto? Isso! Alguém pode mandar a localização do samba douro Alguém no sambadouro? Em tempo real? Gente, a localização O Lavô tá novo tá rolando? Quando tiver a localização do lavô tá novo alguém manda! Quero! Peixoto tá rolando ainda? Alguém tem localização? Diz que tava na Carandaí com Piau...

raquidiana

Após injetada,  em segundos, minutos para os mais resistentes você apaga. O olhar se vai, a consciência se vai, o corpo anestesiado   está disponível.  Mente sem delírio  Onde estão os sonhos e pesadelos? Não existem  ausência total. O tempo se encurta  apagar e despertar  duas ações com o intervalo de segundos se morrer for assim, rápido e low profile,  me recuso ao ato. Quero minhas imagens,  todas boas e ruins até daquelas que me causam estranha vergonha. Se morrer for uma espécie de PT em HD,  sim, perda total 0 imagens ou memórias que seja súbita  não aguentaria tamanha ansiedade e tristeza.

decolar um dois três milhas

Que vontade de ficar 30 dias num resort,  com tudo pago e sem internet.  Já imaginou não ter que se preocupar com o estouro do cartão a cada cerveja virada no copo? Quero um resort  em qualquer canto,  com praia ou sem,  no litoral ou na montanha, no interior ou em alguma região metropolitana. Mas tem que ter gente,  gente minimamente legal e interessante,  gente sincera. Detesto lugar vazio,  meio chato ter que puxar assunto com os coitados dos funcionários, que sempre estão de saco cheio desses turistas insuportáveis, cheio de papo ruim, mostrando como está sendo um máximo estar no tal resort de férias e alegre.  Triste aqueles que precisam fazer o cliente se sentir feliz.  Desgosto.  Mas gosto de gente, principalmente daquelas senhoras gordas, cheias de rugas, que gargalham alto e usam sapato ortopédico.  Também não quero conhecidos,  não quero aquele negócio de "ah, te conheço”,  não. Quero cara nova, para gostar ...

eu mangue

uma edição da folha na capa, a eterna gal com seus seios fartos a mostra, é 10 de novembro  vergueiro com castro alves ele cozinha enquanto o observo  sua blusa branca riscada de azul  compondo com os outros azuis  da porta as janelas pequeno quarto o chão de madeira, a densidade dos prédios ao redor, os sons das ruas me encheram a cabeça o feijão com coentro, a couve refogada, o arroz com cúrcuma  me encheram o estômago o corpo já mole, cansado, me fez lembrar da prometida farofa que virou desculpa para voltar outra vez.  voltarei o sol que resolveu aparecer, se escondeu pelas duas largas janelas  o vento já frio indicou  o crepúsculo.   me olhando enxergando profundamente  disse que meu olhar  é marejado nem grande, nem pequeno, médio e do mangue tipo bicho do mangue não sabe exatamente qual,  mas confirma ser do mangue.

carta sexta 13 de janeiro

Oni saurê Aul axé Oni saurê Oberioman Oni saurê Aul axé babá Oni saurê Oberioman 13 de janeiro de 2023 Sexta - feira  Após temporada de estreia de Entre parentes em 2022 aqui,  na casarona do Espaço Comum Luiz Estrela, em meio ao caótico processo eleitoral, o trabalho retornou neste novo ano em comemoração aos 6 anos da companhia junto da performance de  Da terra. O TeAto do Amanhã nasceu em 5 de janeiro de 2017, forjando o seu fazer a partir da mistura de linguagens artísticas para além dos limites impostos sobre elas. Entre residências, mostras, peças, performances, cenas, desenhos, documentários e outros tantos trabalhos, alcançamos 2023 celebrando os bons ventos que chegam ao nosso país. Entendemos que existem muitos campos de batalha pela frente, no planalto foi o Di Cavalcante esfaqueado com seis furos, nas ruas é quem? Quais corpos são mira do estado?  Corpos com quais cores? de quais gêneros e sexualidades? É momento de vigiar. Comemorar, mas vigiar.  El...